A
síndrome de Tourette, também conhecida como
síndrome de la Tourette
(SGT ou ST), é um distúrbio neuropsiquiátrico que caracteriza-se por
múltiplos tiques, motores ou vocais, que perdura por mais de um ano e
normalmente instala-se na infância.
Foi primeiramente descrita em 1825, pelo médico francês Jean Marc
Gaspard Itard, responsável por diagnosticar a afecção na Marquesa de
Diampierre. Contudo, foi apenas em 1884 que esta doença foi denominada
síndrome de Gilles de la Tourette, quando o estudando de medicina Gilles
de la Tourette publicou um relato da patologia.
O número de casos dessa doença tem sido crescente, sendo
provavelmente em conseqüência da maior disponibilidade de informações e
conhecimentos sobre a enfermidade, por parte das equipes de saúde responsáveis por diagnosticá-la.
Normalmente, a síndrome inicia-se durante a infância ou juventude de
um indivíduo, ocasionalmente tornando-se crônica. No entanto,
habitualmente durante a vida adulta, os sintomas tendem a amenizar.
Na grande maioria dos casos (80%), a manifestação clínica
inicial da doença são os tiques motores. Estes englobam piscar, franzir a
testa, contrair a musculatura da face, balançar a cabeça, contrair em
trancos os músculos do
abdômen
ou outros grupos musculares, bem como outros movimentos mais
elaborados, como tocar ou bater em objetos que se encontram próximos.
Também existem os tiques vocais, que abrangem ruídos não
articulados, como tossir, fungar ou limpar a garganta e emissão parcial
ou total de palavras. Em menos da metade dos casos, observam-se a
coprolalia e copropraxia, que é a utilização involuntária de palavras e
gestos obscenos, respectivamente; a expressão de insultos, a repetição
de um
som, palavra ou frase referida por outra pessoa, que recebe o nome de ecolalia.
O diagnóstico é apenas clínico, sendo baseado nos seguintes critérios:
- Presença de tiques motores múltiplos e um ou mais vocais durante a síndrome, não necessariamente simultaneamente;
- Ocorrência de tiques diversas vezes ao dia, quase que diariamente, ou intermitentemente, por mais de um ano;
- Com o passar do tempo, varia a localização anatômica, o número, a frequência, complexidade, tipo e gravidade do tiques;
- Início na infância ou adolescência (antes dos 18 anos de idade);
- Inexistência de outras condições médicas que esclareçam os movimentos involuntários e/ou as vocalizações;
- Testemunho ou registro de tiques motores e/ou vocais.
Não existe cura para essa desordem, mas há
controle.
Pesquisas têm evidenciado a importância da utilização de uma forma de
terapia comportamental cognitiva, chamada de tratamento de reversão de
hábitos. Esta baseia-se no treinamento dos portadores da síndrome para
que monitorem as sensações premonitórias e os tiques, com o objetivo de
revidar com uma reação voluntária fisicamente incompatível com o tique.
Alguns fármacos antipsicóticos têm mostrado resultados positivos na
diminuição da intensidade dos tiques, quando sua periodicidade se traduz
em prejuízo para a autoestima e aceitação social. Em determinados
casos, no qual os tiques são bem localizados, pode ser feito o uso da
toxina botulínica.
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_de_Tourette
http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n4/218.html
http://www.scielo.br/pdf/rbp/v21n1/v21n1a10.pdf
http://www.drauziovarella.com.br/Sintomas/6422/sindrome-de-tourette